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sexta-feira, 22 de março de 2013

Réus do caso Asfora são absolvidos em júri popular em Campina Grande

Foi concluído que o ex-vice-governador Raymundo Asfora foi assassinado. Julgamento aconteceu nesta quinta-feira (21) em Campina Grande.

Do G1 PB
Juiz proferiu a sentença, absolvendo os réus (Foto: Taiguara Rangel/G1) 
Juiz proferiu a sentença, absolvendo os réus
(Foto: Taiguara Rangel/G1)
 
Os réus do caso Asfora, Marcelo da Silva e Gilvanete Vidal, foram absolvidos em julgamento na tarde desta quinta-feira (21), em Campina Grande. A sessão concluiu que o ex-vice-governador da Paraíba Raymundo Asfora foi, de fato, assassinado. Porém, a maioria dos jurados, não considerou que os acusados foram os autores do crime.

O juiz Alberto Quaresma, do 2ª Tribunal do Júri de Campina Grande, proferiu a sentença por volta das 17h. O político foi morto em 6 de março de 1987.

O promotor Osvaldo Barbosa disse que já aguardava a sentença. "Nós, enquanto Ministério Público, sabíamos da dificuldade para provar a culpa, mas nosso objetivo maior foi alcançado, era provar para todo o Brasil que Raymundo Yasbeck Asfora foi assassinado. Tanto é que a banca de defesa se quedou a reconhecer que houve o homicídio", disse.

A defesa dos réus concordou com o homicídio. "Apesar de confirmado o homicídio, a materialidade da autoria não foi comprovada. Houve a anuência do Ministério Público, que atuou como fiscal da lei, conforme as provas dos autos. Agiu como um defensor da sociedade e o que a sociedade quer é justiça", afirmou o advogado de defesa Raimundo Licarião.

O fotógrafo Marcelo da Silva afirmou estar aliviado com a sentença. "Esses 26 anos foram um martírio. Espero agora conseguir retomar minha vida". A viúva Gilvanete Vidal preferiu não dar entrevista sobre o desfecho do julgamento.
Foto do documento com a transcrição do Caso Asfora  (Foto: Taiguara Rangel/G1) 
Promotoria mostrou transcrição de gravação
(Foto: Taiguara Rangel/G1)
 
Evidência de última hora
Uma transcrição realizada pela Polícia Federal, a partir da gravação de diálogos que teriam acontecido na residência de Omar Asfora, filho de Raymundo Asfora, foi trazida à tona nesta quinta-feira (21). O promotor Osvaldo Lopes Barbosa relatou aos jurados uma conversa presente nos autos, decupada e transcrita sob determinação do ex-superintendente regional da Polícia Federal na Paraíba, Gustavo Gominho.

A conversa, segundo o Ministério Público, não foi investigada por se tratar de uma gravação ilegal, sem autorização judicial. No diálogo que segue, um então delegado comissionado de Conceição do Piancó, no Sertão paraibano, conta ao filho de Asfora e amigos, durante uma festa, que "sabia de todo o complô para matar Asfora, a mando de gente do alto escalão, mas não podia fazer nada porque senão morria também".

Segundo a gravação, dois policiais militares seriam responsáveis pelo assassinato, um deles tendo atirado e outro 'segurado' o corpo da vítima. Todos os supostos envolvidos já estão mortos, segundo o MP, inviabilizando o retorno da peça à fase de inquérito policial.
O promotor defendeu ainda a condenação dos acusados, Marcelo da Silva e Gilvanete Vidal, com base no depoimento constando nos autos em que o primeiro teria sido autor do homicídio, juntamente com o caseiro João da Costa, já morto, a mando da viúva Gilvanete.
O fotógrafo Marcelo, à época motorista de Asfora, afirmou que nunca cometeria o crime. "Jamais mataria Raymundo. Meu nome surgiu porque o caseiro foi coagido pela Polícia Civil, ele disse isso à Polícia Federal depois, que os policiais levaram ele para um matagal, deram tiros para o alto e disseram que ele só saia de lá se desse um nome. Nesse dia eu só soube da morte à tarde, quando cheguei lá o corpo já tinha sido removido. Eu acredito que ele cometeu suicídio, já presenciei ele tentar suicídio quando separou-se da primeira esposa", disse.

A viúva manteve a mesma versão dos fatos. "Não é verdade que fui mandante, não sei o motivo da acusação. Em tempo algum traí Raymundo Asfora, tenho a consciência tranquila. Nosso relacionamento não estava bem, quando ele bebia ficava agressivo, irreconhecível e depressivo. Bebia muito. Nunca me bateu, mas me agrediu verbalmente. Nunca ouvi que ele foi perseguido, comentou-se nomes de vários políticos que queriam ele morto à época, mas nunca me disseram nada. Não acredito que ele tenha sido assassinado", afirmou.

O julgamento
O Tribunal de Justiça da Paraíba havia anulado o primeiro julgamento, determinando que os acusados fossem levados a um novo júri popular. Naquela oportunidade, o Conselho de Sentença havia absolvido os réus, com base na tese de suicídio. O Ministério Público recorreu, com o argumento de decisão ter sido contrária à prova dos autos, já que existe uma perícia técnica que aponta para um possível homicídio.

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