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segunda-feira, 25 de março de 2013

Empresário quer fazer reality show de US$ 6 bilhões em Marte até 2023

NICOLA CLARK
DO "NEW YORK TIMES"
Folha Online

The New York Times Quando Bas Lansdorp começou a sonhar há mais de uma década em fundar a primeira colônia humana permanente em Marte, seu enfoque principal não foi superar os desafios tecnológicos. Foi o modelo empresarial. "Toda a tecnologia de que precisamos já existe --ou quase", disse. "Eu simplesmente não conseguia imaginar como financiar a coisa."
Lansdorp, um engenheiro e empresário holandês de 36 anos, não tem a fama de Dennis Tito, o financista americano que anunciou em fevereiro um plano para enviar duas pessoas em um sobrevoo a Marte em 2018.
Lansdorp também não pode se comparar à riqueza de Elon Musk, o bilionário fundador da SpaceX e da Tesla Motors, que propôs enviar até 80 mil pessoas ao planeta vermelho e cobrar US$ 500 mil de cada uma.
Mas Lansdorp está convencido de que encontrou o plano perfeito para levantar os US$ 6 bilhões que diz precisar para pousar uma primeira equipe de quatro pessoas na superfície de Marte até 2023. A missão seria transmitida como um programa de reality show para todo o mundo e duraria vários anos.
"Quantas pessoas você acha que desejariam ser os primeiros seres humanos a chegar a Marte?", perguntou Lansdorp, em uma entrevista, lembrando que mais de 600 milhões de espectadores disseram ter sintonizado os primeiros passos de Neil Armstrong na Lua em 1969.
"Estamos falando em criar um grande espetáculo de mídia, muito maior que os pousos na Lua ou os Jogos Olímpicos, com um enorme potencial de receita originária de direitos de transmissão e patrocínios", diz.
Lansdorp será o produtor-executivo, não um ator: ele não pretende fazer a viagem. Apesar do significativo ceticismo que seu plano despertou, ele cita seu sucesso em fundar e atrair financiamento para a companhia de energia eólica Ampyx Power --uma empresa que tenta usar aviões sem piloto e de curto alcance para gerar eletricidade-- como evidência de que pode transformar ideias amplas em realidades financeiramente viáveis.
O engenheiro não quis dizer quanto ganhou vendendo sua participação na Ampyx, mas disse que não precisaria trabalhar durante vários anos, pelo menos.
Com dez anos para selecionar e preparar sua primeira equipe, o projeto, chamado Mars One ("Marte Um"), espera começar o recrutamento de astronautas on-line neste outono. O candidato deve ter pelo menos 18 anos, ser fisicamente apto, falar inglês e estar disposto a superar o processo de seleção e um programa de treinamento de oito anos sob o olhar constante de uma câmera.
Não é necessário possuir habilidades técnicas específicas ou experiência, mas não esqueça de ler as letras miúdas do contrato: por motivos de recursos e de logística, essa é uma viagem só de ida.
PRIMEIROS PASSOS
No mês passado, o Mars One conseguiu seus primeiros investidores externos, e esses fundos serão usados para financiar os estudos do projeto conceitual da espaçonave, de um módulo de pouso, dos sistemas de suporte à vida, dos veículos de suprimento e dos sistemas de comunicação.
O site recebeu 1,7 milhão de visitantes únicos desde que foi ao ar, em junho passado, segundo o Google Analytics. Mais de 8.000 pessoas de mais de cem países já enviaram seus currículos por e-mail desde que o recrutamento on-line começou, em janeiro.
Lansdorp montou o Mars One como uma fundação sem fins lucrativos, mas ela é a acionista majoritária de uma companhia comercial, a Interplanetary Media Group, que possui os direitos exclusivos de venda das transmissões de televisão e de publicidade.
CETICISMO E CRENÇA
Ainda assim, nem todo mundo está convencido de que o projeto irá decolar. "A ideia de voar para Marte sem retorno não é tão absurda quanto pode parecer", disse Robert Zubrin, ex-presidente da Sociedade Espacial Nacional dos Estados Unidos. "Mas eu sou muito cético de que ela possa ser financiada por receitas de televisão."
Peter Mejer, diretor operacional da unidade holandesa da Trifork, um desenvolver de software baseado em Copenhague, disse que sua empresa --que também está fornecendo tecnologia de hospedagem na web e de rede para o Mars One-- concordou em investir uma soma não revelada. "Para nós é uma oportunidade não apenas de uma perspectiva tecnológica, mas também de marketing e de exposição da nossa marca."
PROCESSO DE SELEÇÃO
O grupo de candidatos será reduzido para algumas centenas até 2014, momento em que o Mars One espera começar a transmitir o processo por televisão em países escolhidos.
Junwie Cheng, que se candidatou para a missão a Marte, é um importador de metais de 26 anos de Taiyuan, uma cidade de 4 milhões de habitantes no nordeste da China. Ele admite que não é do tipo que aprecia muita gente, mas diz que está habituado a viver em locais lotados. "Às vezes, quando pego o metrô ou o ônibus, não encontro lugar para pôr meus pés."

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